Sábado, 27.08.11

É agora. Não há mais dúvidas, não há hesitações. Ou pelo menos não deveriam haver. É agora, está na altura de aceitar (sim, porque estava a distrair-me um pouco da verdade, não era?) e arranjar coragem para enfrentar olhos nos olhos e fazer aquilo que tenho de fazer. Fazer, pelo menos uma vez, aquilo que sempre quiseram que fizesse; erguer a cabeça e exigir aquilo que é meu de direito, perder os receios e largar os rodeios e encarar o touro bem de frente.

O problema é que custa. Pode não significar nada, mas custa e eu não sou corajosa. Mas enfim, a dor passa. Não é isso que me preocupa. Porque, por mais que doa, passa sempre, nem que demore dias, semanas, meses, mas passa. O meu problema são as cicatrizes que ficam, que me fazem pensar nas realidades alternativas que eu podia estar a viver. Os ‘e se?’ que destroem as pessoas. As dúvidas, as perguntas.

E seria pedir muito viver em paz? Dizem que antes da bonança vem a tempestade, mas esta é uma tempestade que dura há muito, há demasiado tempo. Seria pedir demais, pedir por uma bonança? Ou uma pausa, pelo menos. Algum descanso. Menos apertos no coração, menos desgostos. Menos lágrimas. Menos dores. Menos cicatrizes. Começo a pensar que nunca serei totalmente livre para ser quem sou, já que passei tanto tempo debaixo desta tempestade que me tornei num ser sério, absurdamente cabisbaixo e tristonho. Mais amargo do que seria aconselhável.

E ainda assim, parece que a minha mente não se cansa de tornar as coisas mais difíceis. Preocupações, pensamentos a mais, voltas e voltas sem fim, perguntas sem respostas, e se…? Não consigo parar este frenesi, uma correria sem fim, esta máquina que não se desliga. Acordo todos os dias assim e vou dormir todos os dias assim. Se nem eu própria consigo aliviar-me de cargas desnecessárias, quem poderá?

Às vezes sou eu mesma demais. Queria ter o poder de não me preocupar, de dizer ‘não quero saber’ e realmente fazê-lo. Não me importar. Desviar o olhar como se nada fosse. Mas não é nada. E é isso que me custa.




Terça-feira, 12.07.11

Harry Potter. A primeira vez que vi os livros, foi na forma de um presente de aniversário quando eu fiz oito anos, há sete anos atrás. Ofereceram-me os três primeiros, e eu já tinha visto os filmes que já tinham saído. Harry Potter e a Pedra Filosofal foi o primeiro livro que eu li, e devo dizer que os devorei numa semana. Fiquei tão apaixonada por esse garoto de olhos verdes e um coração tão puro que simplesmente queria saber mais e mais e mais da história dele e daqueles que o rodeavam. Só mais tarde me apercebi que os livros falavam de muito mais do que a história de um rapazinho feiticeiro órfão. Falava de coragem, de batalhas e de fazer as escolhas certas em vez das mais fáceis. Falava de amor e erros, e da dificuldade de seguir o caminho correcto.
Eu fui, perdoem, sou uma fã leal, mas não do género de esperar pela meia-noite à porta da livraria pelos livros ou ir à estreia dos filmes. Pelo menos não no princípio da série para mim, porque era demasiado nova. Harry Potter tornou-se uma pessoa real na minha mente, e eu acarinhava muito esse mundo. Harry Potter era a minha companhia durante madrugadas sem sono, durante as discussões dos meus pais, durante as alturas que eu simplesmente não tinha amigos.
E então, há dois anos e meio, o meu pai foi expulso de casa. E dizer que foi difícil seria, como os ingleses dizem, the understatement of the year. E Harry Potter tornou-se o meu escape, por estar frustrada com a minha mãe e o meu pai, por estar frustrada com o gozo que sofria na escola por ter peso a mais, por estar triste com o mundo e tudo aquilo que era a minha confortável realidade estar a destruir-se completamente. Tornei-me uma entusiasta tal, cheguei a criar blogs, e foi essa a minha salvação. Eu acho que sem Harry Potter, sem uma constante lembrança de que o mais fácil nem sempre é o certo, eu não conseguiria chegar onde estou sendo a pessoa que sou.
Harry Potter permitiu-me conhecer, pela internet (porque na vida real não conhecia ninguém tão fã quanto eu), 90% das amigas que tenho na vida real agora. Harry Potter foi o meu suporte durante o divórcio dos meus pais e era simplesmente algo que estava sempre , desse por onde desse, mesmo que imaginariamente. Foi Harry Potter que me deu a força para fazer as escolhas que estão certas, como a que eu fiz este ano, de ir viver com o meu pai para uma cidade a 300km de onde moro.
E este ano, quando entrei para o 6v, foi incrível. Incrível porque é um sítio onde eu me podia expressar, ser demasiado dramática e demasiado entusiástica, é um sítio onde convergem as melhores pessoas que eu já conheci, acolheram-me e fizeram-me sentir tão amada que nem sequer tenho palavras suficientes para descrever. É a alegria de ver que uma amizade está a formar-se, que existem pessoas que parece que eu já conheço há anos. E tudo isso me faz sentir... incrível.
Acho que é por isso que este último filme, que não é o fim, representa uma imensa tristeza para mim porque representa o fim das ligações com todos os amigos que eu tenho, e que conheci através de Harry Potter. Porque eu vou deixar de ser tão próxima deles, e é o fim disso e de Harry Potter, é o fim desta cidade para mim, que é maravilhosa, como os meus amigos e Harry Potter... Já não há mais livros, não há mais filmes. Mas o universo nunca irá morrer.
Harry Potter faz parte de mim numa maneira muito íntima e pessoal, porque eu cresci através e com os livros, eu cresci com as personagens. Eu falo com a Hermione sobre livros, eu discuto com o Ron por causa de comida, eu vejo o Harry sempre que me lembro dos meus próprios pais porque eu conheço-os melhor que a mim própria e eu estava lá. Eu estava lá quando encontraram a Pedra e o Ron se sacrificou, eu estava lá quando enfrentaram o terror da Câmara dos Segredos e os Dementores. Eu estava lá quando salvaram o Buckbeak e o Sirius, eu estava lá quando a Hermione usava o Vira-Tempo sem ninguém saber. O torneio dos Três Feiticeiros, a morte de Cedric e o regresso de Voldemort, o ataque dos Dementors e a audiência no Ministério, eu vi isso tudo. Eu sofri com todos eles quando morreu o Cedric, o Sirius, o Dumbledore, o Olho-Louco, a Hedwig, o Dobby, o Fred, o Lupin e a Tonks e quando morreu o Harry também. Porque eles são tanto para mim quanto os meus amigos na vida real. Não tenho palavras suficientes para expressar o quão real são para mim as discussões do Ron e da Hermione, os comentários da Ginny, a criatividade mágica da Luna e a coragem do Neville. A inocência do Harry e o seu coração puro. A sapiência do Dumbledore e o sarcasmo do Snape. A rigidez da McGonagall. A ruivez dos Weasley.
Eu identifico-me com as personagens de milhares de maneiras diferentes, porque de cada vez que abro um livro sinto-me como se tivesse chegado a casa. É como receber um abraço ou beber chocolate quente enrolada numa manta no meio do Inverno. Nunca vou esquecê-los, nunca vou deitar os livros fora, nunca. Vou guardar para sempre estas memórias porque Harry Potter é um amigo que eu fiz para a vida.




Quarta-feira, 06.07.11

Melhor que qualquer sonho que poderia ter.




Terça-feira, 28.06.11

Estava a pensar… Em diários. Como seriam os diários de outras pessoas (porque sim, eu também tenho um). E depois de ter ido com uma amiga minha a uma Bertrand onde ficámos horas e horas a olhar para os diferentes blocos, lembrei-me das pessoas aqui da blogosfera. Só se vê o que as outras pessoas escrevem, aquilo que elas escolhem partilhar. E apenas pela internet, tudo formatado direitinho.

Pensei em organizar uma espécie de projecto em que os participantes (bloggers) escrevessem num bloco todos os dias, coisas ao acaso (ou não), pensamentos, frases, citações, qualquer coisa basicamente. E depois fazer um sorteio e cada participante enviar o seu bloco a outra pessoa, completamente desconhecida. O que acham?

 

 

att

Bem pessoas ;D Vou fazer uma lista das pessoas interessadas. Que tal se o sorteio for no fim do ano? Assim ainda dá bastante tempo para escrever. E divulguem! Podem usar o banner.

 

annewood

Katerina K

Su

Seeking Beauty in Dissonance

André




Domingo, 19.06.11

És a única que sabe. Eu estou a tentar. Estou alegre e tudo. E é horrível pensar que achas que escolho sofrer. Eu não escolho. Eu sei que tudo o que disse pareceu irritado, mas não era essa a ideia. Eu só… Eu preciso de deixar de pensar nele, de o ultrapassar. Preciso de falar nele, de chorar e de sofrer para depois continuar. Pensei que conseguisses perceber isso. Mas espero demais, talvez. Sim, é demasiado que ficou por dizer.

E tenho tanto frio.



M# às 18:38 | link do post | comentar

Não cedi a nada, não cedo a nada desde 11 de Janeiro de 2009. Só agora percebo isso. E tornou-se uma dor tal que me assustam os gritos mudos, que me assustam os ombros curvados e o peso na alma, que, sem ser passível de ser notado fisicamente, é tão grande que por vezes me pergunto se as outras pessoas também reconheceriam a minha tristeza contínua. (…)

Que alguém faça a dor parar, por favor.

Eu não consigo mais agora sequer tocar nela. Agora que entendi todos estes aspectos sobre mim. Sobre aquilo que me rodeia. Simplesmente não posso. Ficará trancada até estar mais uma vez tão fundo que virão de novo ombros curvados, posições fetais, tremores de corpo inteiro e olhos vermelhos. (…)

A dor é tão constante que já se tornou uma parte de mim. E não conseguirei apagá-la.

Não consigo mais, mas terei de conseguir.

[31/05/2011]



M# às 18:17 | link do post | comentar

Se conseguisse escolher, deixaria de procurar o amor. Ele, essa maldita tentação, ou melhor, aquilo que eu sentia por ele chegou a um ponto que não podia mais ser negado. Eu tentei, juro que sim. Passei meio ano a tentar e iria conseguir. Se não fosse aquele maldito papel. Tudo é maldito no que toca a ele. Uma tentação proibida criada pelo diabo como um castigo maquiavélico.

Certamente não escolheria isto. Chorar por ele. Saber que, apesar de me doer vê-lo, preferiria vê-lo todos os dias a pensar que nunca mais o verei. Saber que sou estúpida a ponto de querer uma ilusão. Que devia deixar de pensar nele mas não consigo porque não consigo ignorar o facto de que não sou ninguém na vida dele.

Se eu conseguisse escolher, deixaria de procurar. Mas nem isso resulta, porque não procurei o amor e agora amo-o a ele. Não é preciso procurar quando quem eu amo está mesmo ao meu lado. Teria de deixar de existir para deixar de amar.



M# às 18:14 | link do post | comentar

Domingo, 05.06.11

Já não povoas a minha cabeça todos os segundos. Mas quando o fazes, quando olhas para mim…

Estou perdida. Sinto-me a vaguear nos limites da minha consciência, chego ao ponto de querer sentir-te, de querer beijar-te, sinto uma força a puxar-me mas o cérebro a ordenar-me para não ceder.

Tu olhas para mim. Eu olho para ti. E nunca mais largamos. Será que vês? Será que entendes? Não to sei dizer. Estamos com outras pessoas mas isso não interessa. Juro, senti-me como só estivéssemos tu e eu, levantei a mão porque queria tocar-te. Queria tanto tocar-te, queria que percebesses que gosto de ti, queria por um momento fingir que também eras meu. Queria puxar-te para mim e perder-me numa interminável rota em direcção à insanidade, porque é aí que me vais deixar. Queria que compreendesses.

É claro que no último segundo, literalmente, apercebi-me de que não poderia ser assim. Então fingi bater-te, na brincadeira, mas como sempre fugiste de mim. Pergunto-me se compreendes esta ânsia que sinto e que parece ficar mais forte. Se é por isso que foges mas no entanto não consegues deixar de olhar. Não imaginas a quantidade de vezes que estes pensamentos afloram à minha mente e eu me vejo incapaz de os conter.

E olhas-me, ainda. Olhos verdes e barba. És a minha desgraça.




Quarta-feira, 25.05.11

I’m terrified.

I love you all too much.



M# às 22:15 | link do post | comentar

Segunda-feira, 16.05.11

Escrevo-te uma carta, pela primeira vez honro o nome deste blog. Não és ninguém, mas isto é uma primeira carta porque mereces. Mereces muito mais de mim, mereces uma melhor amiga do que aquela que tenho sido. Acho que nunca na minha vida senti que poderia dizer tanto apenas com um:

Desculpa.

Porque ‘Desculpa’ é uma palavra deveras interessante. Tirar a culpa. Sim, não tenho dúvidas de ter culpa, porque certamente fui abençoada. Não te mereço, ou pelo menos, mereces que eu seja uma amiga melhor. Não te sei dizer porquê, apenas sinto que deveria ser melhor. Que não correspondo a tudo o que tu me dás. És uma pessoa maravilhosa para mim, e és uma parte muito importante da minha vida e de quem eu sou. Sinto que deveria retribuir muito mais, de maneira a igualar tudo aquilo que fazes por mim.

Lamento ser tão insegura e pessimista. Sei que não deve ser fácil tentar puxar-me para cima de todas as vezes que vou ter contigo, sim, porque também existem aquelas em que não te digo nada porque me parece que já fazes demais. Mas também sei que vais dizer que não é nenhuma obrigação, fazes isso porque gostas de mim, e eu sei. Só digo que deve dar muito trabalho aturar todas as minhas crises de baixa auto-estima, falta de confiança e as inseguranças todas.

Mas também sei que é maravilhoso quando somos apenas nós, juntas a conversar sobre sei lá o quê, e é nessas alturas que eu desejo mais poder viver mais perto de ti. Porque tu és uma das poucas pessoas que consegue fazer-me sorrir, não é um daqueles sorrisos forçados, mas sim um verdadeiro, principalmente quando eu vejo tudo negro, estás lá para acender uma luz. Por mais pequena que seja.

Considero-te como o meu pequeno anjo, porque trazes tanto à minha vida e me fazes tão feliz que deves ser de origem celestial. És única e especial e espero nunca me separar de ti. Nunca. Quando penso em ti, o que faço quase diarimente, penso em felicidade. Em amizade verdadeira. Em tolices e risota, mas também confiança e apoio. Honestidade e ajuda. Gratidão. E amor.

Independentemente do que achas, sempre soube que me adoras. E eu também te adoro.

Marta.



M# às 00:39 | link do post | comentar

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